Que o amigo seja para vós a festa da terra

26 abril 2010

The dark side of chocolate



Miki Mistrati e U. Roberto Romano, The Dark Side of Chocolate, 2010.


The Dark Side of Chocolate é um documentário sobre alegações feitas acerca do tráfico de crianças e trabalho infantil, pela indústria internacional do chocolate.

«Enquanto apreciamos o doce sabor do chocolate, a realidade é completamente diferente para as crianças africanas.»

Consumidores de chocolate por todo o mundo ficaram escandalizados em 2001, ao descobrir que a escravatura, o trabalho infantil e outros abusos, estavam em uso nas roças de cacau da Costa do Marfim, país onde se produz quase metade do cacau para todo o mundo. Cedo se seguiu uma avalanche de publicidade negativa e consumidores à procura de respostas.

Dois membros do Congresso dos Estados Unidos, o Senador Tom Harkin do Iowa e o Legislador Eliot Engel de Nova York, adereçaram a questão propondo uma lei ao Sistema Federal para certificar e etiquetar produtos de chocolate como "slave free" (sem escravatura). A medida passou à Casa dos Representantes e criou um potencial desastre económico para a Cargill, Archer Daniels Midland Mars, Hershey’s, Nestle, Barry Callebaut, Saf-Cacao e outros produtores de chocolate. Para evitar uma legislação que iria obrigar as companhias do chocolate a marcar os seus produtos com etiquetas "no child labor" (sem trabalho infantil) (para a qual muitos produtores não chegariam a poder certificar-se), a indústria defendeu-se e acabou por ter de aceitar um protocolo voluntário, a implementar até 2005, para terminar com o abuso e o trabalho infantil forçado nas roças do cacau.

Em 2005 a indústria do cacau não foi capaz de cumprir com o protocolo e estabeleceu-se uma nova data para 2008. Em 2008 os princípios do protocolo continuavam sem resposta e levantou-se ainda uma outra data limite para 2010.

E em 2010?

Quase uma década depois e milhões de dólares gastos na tentativa para erradicar o tráfico de crianças e o trabalho infantil do negócio do cacau, será que alguma coisa mudou?

Miki Mistrati e U. Roberto Romano iniciaram uma investigação discreta, para averiguar se estas alegações de trabalho infantil na indústria do cacau ainda eram pertinentes na actualidade.


Março, 2010
Miki Mistrati & U. Roberto Romano



A exibir brevemente na SIC


Tradução do Skapsis

25 abril 2010

Bodas de prata em cativeiro

16 abril 2010

Economic hit man





John Perkins in Talking Stick about his 2004 book
Confessions of an Economic Hit Man, September 21, 2007.

14 abril 2010

Bless the rains



Toto, Africa, by Perpetuum Jazzile, 2009.

07 abril 2010

Para além dos bastidores da propaganda (relações públicas)



Assassínio no Iraque em 2007 de um fotojornalista da Reuters e do seu motorista, entre crianças e outros.

Collateral damage??!?!!?!!!? Depois de ver matar uma série de pessoas inocentes a partir de uma metralhadora num helicóptero americano levanta-se uma núvem de poeira. Quando a poeira assenta e começam a ver-se os corpos estendidos no chão, ouve-se dizer «Oh, yeah, look at those dead bastards.» E de seguida a resposta... «Nice!»

A versão posta acima, do WikiLeaks, está gentilmente editada para promover uma leitura precisa das posições das vítimas, e uma noção realista da disposição psicológica dos intervenientes no assassínio de Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, entre muitos outros inocentes. É preciso ver este filme com atenção! No entanto, o Skapsis alerta para o facto de que este video, captado no ponto de vista do agressor, é um potencial elemento de perturbação, susceptível de abalo psicológico para os mais sugestionáveis.


A 6 de Abril de 2010 na PDN.

Graphic video footage showing US soldiers taking aim at an Iraqi photojournalist from a helicopter and shooting him to death has shown up on the wikileaks.org web site. The footage also shows the shooting death of the photographer's driver, another Reuters employee. The
video was recorded on July 12, 2007 from the helicopter from the point of view of the gunner.


Reuters has been asking for the release of the footage as part of its investigation of the deaths of the photographer, 22-year-old Namir Noor-Eldeen, and his driver, Saeed Chmagh, 40. Two children were also wounded in the attack. According to a pre-amble added to the video, the military had initially claimed that the victims died in a battle between US forces and Iraqi insurgents. The military concluded after an investigation that the the soldiers had acted according to the rules of military engagement.


The video includes an audio recording of the helicopter crew reporting a group of men walking down the street with "weapons." They identify those weapons at first as AK-47s, and ask for permission from their base commanders to "engage." Permission is granted. "Just fuckin, once you get on 'm just open 'em up," a voice on the recording says after one helicopter crewman reports that the men are behind a building.


Soon the helicopter crew sights the men milling around the street, ignoring the helicopter and making no apparent effort to hide. One of the men holds a camera with a long lens, which is quickly misidentified by the crew as an RPG. The man holding the camera appears to be talking on a cell phone. With the men in view, a commander says,"Light 'me all up." The gunner hesitates, and someone else says, "Come on, fire!" The gunner fires, and as the men go down, a voice says, "keep shoot'n, keep shoot'n." One crew member reports that they
had "engaged" all eight individuals on the ground, but another says "we see two birds and we're still fire"--indicating that two of the men were on the run. A commander swears at the gunner, who opens fire again and then says, "All right, hahaha, I hit 'em."


The helicopter continues to circle around, directing ground crews to the scene. One of the injured men attempts to get up, but the helicopter crew refrains from shooting him because he doesn't have a weapon. Before US military ground crews arrive, a van arrives to pick
up the injured man, who is identified in the released video as Saeed Chamagh. The helicopter crew presses for--and finally gets--permission to fire upon the van and the people around it. When US military ground crews finally arrived, they found two wounded children inside the van, and 12-15 other people dead, including the two Reuters journalists..


In a statement, David Schlesinger, editor-in-chief of Reuters news said, “The video released today via Wikileaks is graphic evidence of the dangers involved in war journalism and the tragedies that can result.” Calling the deaths of Namir and Saeed "tragic," he said, "We continue to work for journalist safety and call on all involved parties to recognise the important work that journalists do and the extreme danger that photographers and video journalists face in particular."

20 março 2010

Totum



















Lisboa 2010
(Panorâmica lowfi com telemóvel de gama baixa)

Exposição de Ricardo Pacheco
18 de Abril da 20 de Maio
Galeria Prova de Artista


TOTUM
desenhos de Ricardo Pacheco

Ricardo Pacheco nasceu em 1974 e fez o seu percurso académico na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Vive e trabalha em Lisboa, mas o seu trabalho não têm um lugar fixo nem surge de onde se possa indicar — pertence exclusivamente à pintura. Pintura do interior. Não do interior gasto e comum das novas tendências mas um interior completamente perene e genuíno.

O seu trabalho é honesto, inteiro e sincero. É de um desenhador hábil que desde muito cedo deixa cair o traço que empresta à sua imaginação, e nos mostra os outros que também somos. Sempre teve uma grande facilidade para a representação visual do mundo que o rodeia, mas é a imaginação profunda que começa cada vez mais a ter lugar nas suas obras: uma relação pura e desprotegida, perigosa e arriscada, com essa coisa que é o mundo do imaginar, da imagem que não tem forma, corpo ou matéria. E mergulha nela com a mesma intensidade como na água que o sacia. Mas a sua obra nada tem de abstracta, embora isso possa não ser claro à partida. É uma representação constante do outro que está fora e dentro dele mesmo, um mundo figurativo que existe mas que nem sempre temos a possibilidade de contemplar.

Na relação com o outro, e com o nosso próprio identificável, o que mais nos toca é o rosto. O rosto do amigo, o rosto da mãe, se ainda o temos connosco… o rosto da nossa casa, do nosso corpo, da terra que nos diz. O rosto ancestral do mundo, da ressonância histórica que dá forma e lança. Aquela fisionomia inefável do Tu e Eu. A relação pessoal que temos com certos lugares. A nossa natureza: quer ela seja urbana, rural, política ou tão simplesmente natural. A nossa própria natureza enquanto paisagem de um mundo que dificilmente chegamos a conhecer. Que forma têm as coisas? O que é o formal? Ricardo não procura o rosto meramente dito, ou tão facilmente reconhecível como face, mas um que lhe diga quem é e onde está com mais lealdade. É o rosto que está no espelho que fica por detrás dos olhos. Na verdade, o rosto é uma máscara que nos trava a atenção ao reconhecível, mas estamos tão habituados a fazer um reconhecimento simples e directo das fisionomias mais íntimas, por associação às faciais da superfície, que por ínfimos instantes de segundo julgamos compreender, e não nos é dada a oportunidade de saber isso em consciência. Aquilo que nos é mais familiar é o que de mais estranho nos é dado acesso.

De frente a uma tela branca temos tendência para procurar. «O que é que eu vejo, onde está o rosto?» E essa força que nos leva à procura é o que impede o encontro. Tão simples como encontrar exactamente o que procurávamos, e perder o que não sabíamos que lá estava. Será que sabemos quem somos? Pode argumentar-se que somos quem achamos que somos, e fique-se por aí para não complicar mais o que já é por demais complicado. Mas isso será o que achamos que somos, não aquilo que somos, e o que achamos nessa procura não é o que deixamos perdido quando a procura comanda o encontro...

O encontro é a metodologia deste artista que não procura, num processo criativo que se deixa encontrar a si e por si. O encontro de si mesmo vezes e vezes sem conta, coado pelas múltiplas relações com o mundo e com as pessoas. É na sua incansável abertura à vida e ao que nela advém, nos ritmos do corpo, nos passos dos animais e nos voos auspiciosos das aves, nas árvores e os seus ramos, nas trocas felizes ou difíceis, na fertilidade da constante partilha com quem gosta de cultivar. Nas tão longas conversas que tem com os seus amigos.

Estas pinturas e, sobretudo, estes desenhos do Ricardo Pacheco, dão-nos os percursos de toda esta topografia interna, dão-nos o que está lá dentro e a maturidade sacra do encontro. A consistência da obra do artista, obriga-nos a olhar toda ela para poder observar uma pequena série como esta. E o mesmo acontece no sentido inverso, tal é a sua unidade. Os desenhos que agora nos oferece e dão nome à sua presença nesta mostra, o título deste texto, podem tomar-se como um marco alcançado da sua própria representação.

Sara Constança
Lisboa, 12 de Março de 2010

10 março 2010

Is The Catholic Church A Force For Good In The World? Ou será que deviamos falar do Tempo?

Stephen Fry on The Intelligence2 Debate 2009

A pergunta que compete fazer-se a estes brilhantes comunicadores, como é o caso de Stephen Fry, que me deixou agarrada ao ecrã sem deixar passar uma única sílaba do seu elequente e muitíssimo bem articulado discurso, não é se a Igreja Católica é ou não uma força para o bem no mundo.


Como sistema político que é (e que tem um estado próprio tal como indica Fry tão acertadamente), passa pelos seus altos e baixos, por vezes faz melhor, por vezes pior, mas uma coisa é certa e sabida. A Igreja Católica NÂO é uma força para o bem no mundo, e não é pode ter ouvido um discurso tão convincente como este que uma pessoa esclarecida chega a esta cnclusão. Haverá seguramente muitos indivíduos patrocinados por esta igreja que o são, como foi o caso gritante da Madre Teresa, mas a instituição, porque sim, trata-se de uma instituição, ou melhor, para não adoçar o pão ázimo, uma corporação com tudo o que isso tem de mau. A resposta seria:

The Catholic Church is a force for their own good and the world not only comes in second place as it has no place at all if it does not benefit the church.

Mas, retornando ao que me levou a iniciar esta posta, a pergunta que faço a qualquer proponente do ateísmo, que sem dúvida não pretende manipular o mundo como a Igreja Católica ainda faz em seu proveito, é se a solução que apresentam traz alguma proximidade com o que é a experiência do humano. O ateu, só por ser ateu, fundamentalista ou não, está em negação automatica de um deus, ou Deus, seja como for, deuses, etc, em prol de como bem disse Fry, mais uma vez, aquilo em que acredita é a Iluminação, não a Ilimination mas o Enlightment. E o Enlightment que porpõe, ou o exemplo que dá, incontornável, é o da ciência. Ora, e o que é isto de ciência, perguntamos nós? Foi Galileu que deu os primeiro passos, mesmo retirando as suas palavras depois da tortura, receando o destino que a Igreja Católica ofereceu a Copérnico. A ciência é, como disse platão (episteme), uma crença verdadeira justificada. É verdade, é uma crença, mas é uma crençe que tomamos como verdadeira porque está justificada. Isto é certíssimo, tão certo quanto nada do que se escreve na Bíblia pode ter ou terá alguma vez (excepto no advento da viagem temporal) justificação, ou verificação, possível. Mas, e o ateísmo? Tem o ateísmo algum grau científico ele mesmo? Terá a ciência, em último caso, o grau científico a que se arroga? Como se pode advogar meramente o termo "ateu"? Sabemos que deuses, deus, ou Deus, não existe(m)? Podemos justiviar, verificar e provar a sua inexistência? A resposta é simples, tanto para uns quando para os outros. NÃO!! Simplesmente não é possível saber.


Um ateísta, ou um católico, muçulmano, etc, etc, etc, diriam que isso é o argumento do agnóstico, e que para o agnóstico nada é possível saber. Mas uma coisa é certa, ao contrário que dizia Descartes, tenho a certeza de uma coisa e só dessa coisa mesma, estou aqui a escrever emocionadamente sobre o que acabei de ouvir pela palavras de um dos melhores oradores que já ouvi falar no assunto.


Não, não sou agnóstica. Não, não sei se deuses, deus ou Deus existe(m), nem ponho isso em questão, mas uma coisa sei de facto, e, chamem-lhe o que quiserem, há uma coisa que existe acima de tudo, sobre tudo, sob tudo e por tudo, e essa é coisa é a mais simples e complexa de todas, e não vale a pena chamar-lhe mais nomes que o simples nome que ela tem. Se há alguma coisa que existe é o Tempo. E se há quem diga que o tempo é deuses, deus ou Deus, então qual é ou onde está o católico, muçulmano, etc, etc, etc, qual é o ateu que me vai dizer algo em contra? Talvez me diga que não, que não é um deus ou Deus, mas isso é tão vazio como dizerem-me que o Tempo é a ponte que ele, ou eles, ou Ele fez/fizeram para nos dar lugar. Em suma... non sense. O Tempo, na sua própria inacessibilidade a meros humanos como nós, no máximo, é ele mesmo, e não houve ninguém como o Santo Agostinho para nos mostrar quanto impossível é saber do que se trata.


Contudo, para resumir, o Tempo, esse sim, à sua própria maneira, e a tentar combater todo o disparate e asneira (tremenda hubris) que fazemos, é quem faz algo de bom pelo mundo.

P.S. Digo Tempo mas podia dizer Existência, mas como não quero correr o risco de soar a existencialista, que deveras não sou, perfiro chamar-lhe Tempo, é o Ser do Tempo. Tão "simples" quanto isso.

01 março 2010

Several less cars















 It's the ConferenceBike!


02 fevereiro 2010

Caríssimos junkies, a globalização tem os dias contados

Ontem no Público online:


Estudo da Universidade do Minho

Silva Pereira reafirma linha do TGV para Porto e Vigo apesar da falta de retorno

01.02.2010 - 14:15 Por Maria Lopes
O ministro da Presidência reafirmou hoje a intenção do Governo em construir as linhas de alta velocidade Lisboa-Porto e Porto-Vigo, apesar de um estudo encomendado pelo ministério das Finanças concluir que estas terão pouco retorno ou até mesmo prejuízo.
 
Daniel Rocha

O estudo encomendado pelo ministério de Teixeira dos Santos a um professor da Universidade do Minho debruça-se sobre o pacote de grandes obras públicas projectadas pelo Governo. E conclui que os investimentos necessários para as duas linhas de TGV para Norte só a longo prazo poderão ter algum retorno no caso do troço Lisboa-Porto e que o as contas do lanço Porto-Vigo deverão mesmo ser sempre negativas. A excepção a este cenário cinzento é a linha Lisboa-Madrid.

Questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa sobre a reunião extraordinária do Conselho de Ministros, Pedro Silva Pereira desvalorizou as conclusões do estudo e lembrou que “todos os investimentos implicam, numa primeira fase, um endividamento”. No caso do TGV, vincou, “são investimentos que promovem, a prazo, o retorno para a economia”, e “as análises de custo-benefício são favoráveis a esses investimentos”.

“Não podemos confundir as lógicas de curto prazo com as lógicas estruturais. E o país está numa fase em que precisa de fazer escolhas estruturais”, afirmou. E avisou que Portugal “não pode demorar décadas a discutir os investimentos”, como “os 50 anos para discutir o Alqueva, 40 para o novo aeroporto, e 20 para a alta velocidade”.

“O estudo confirma que estes investimentos são úteis e modernizadores da economia portuguesa”, reiterou o ministro.

um comentário interessante:

Necessidade do TGV

Já alguém pensou como vamos transportar mercadorias de/para a Europa quando já não houver petróleo, ou quando este estiver demasiado caro para ser rentável? Certamente não será com nenhum meio de transporte que consuma um derivado do combustível fóssil. Pois bem, é preciso criar linhas de comboio novas para transportar as pessoas, uma vez que as actuais farão falta para o transporte das mercadorias. (Sim, eu sei que as auto-motoras trabalham a gasóleo. Será preciso fazer também alguma coisa acerca disto) Espero que vejam as pessoas tenham a capacidade de ver as necessidades do País a longo prazo. É que para construir infra-estruturas, a nossa indsútria também se alimenta de petróleo. E se este líquido precioso não existir, a construção de uma linha férrea será muito mais cara. Nessa altura Portugal ficará definitivamente isolado da Europa e do Mundo à espera de uma alternativa energética. A propósito, Portugal não tem necessariamente que comprar comboios. Desde que hava linhas de TGV, os espanhóis e os franceses podem explorá-las. Alguém que me corriga se eu estiver errado no que disse.

 Pois é, já nos pusemos a pensar sobre um futuro relativamente próximo sem petróleo? Sem aviões, sem carros, sem máquinas agrícolas, sem transportes baratos ou rápidos, com uma redução esmagadora na produção de todo o sector industrial do mundo... uma lista infindável de itens que actualmente temos como de absoluta necessidade. Estamos de tal modo viciados numa economia de consumo dos combustíveis fosseis (para não falar dos outros consumos que nos tornaram autênticos junkies) que já não somos capazes de ver o buraco em que nos metemos.

Concordamos com a construção do TGV? Hummm. A resposta imediata é não... claro! Caríssimo, pouco rentável, para minorias, etc, etc, etc. Mas se nos pusermos a pensar nas implicações de um futuro próximo sem petróleo ou energia alternativa que o substitua, a reposta já não pode ser tão leve ou superficial.

Um mundo sem petróleo... ora aí está uma matéria interessante a dar muito que pensar.

21 janeiro 2010

Since 'It' Was
























Belém 2010


What urged me to come
and say about was the misfortune I had to endure last week in Belém.

I left the ride
near the (summer) restaurants
and set in my own way,
enjoying the rain?,

glad to go by my favourite tree
in Belém. The way to CCB.

For my surprise, as I was going forward, a memory lapse.

Yes, [some time had passed since my last visit to these flat gardens, and I forgot]
where the tree used to stand.

So strange,
never in my life this had happen
before, I must be getting old.

All I could see there were the other trees,
with ‘whom’ I never develop a friendship, and,
it seemed,

all the seagulls of the river mouth were there too.

Unusual.

Where is my tree? I thought.
— As if they were ever mine—
But suddenly I came to realize
they
was probably someone's
trees.
Yes, trees,

the trees I was happy to be passing by,
since I decided early in the morning to go
and see Bacon thinking about Ingres, was
an embrace tree of two distinct trees, as if
they could be anthropomorphized into a couple.

I kept on going
forward, intrigued, and
it wasn't till I got very close
that I understood my memory is [still in good shape.
What a horrifying image that was,]
to know about my own memory

with the death of a friend.
Well, I wouldn’t say it was death what petrified me.
Death is hurtful but it’s natural. One way or another
we all expect death.

Call it a new beginning...

Love!
What ever...

For all I know
(or knew) this tree was a monument.
Old and crumbling, but very strong
and capable of many more
friendships like the one
I was happy to enjoy.

Someone had passed and
decided it was no more and
took her stand away, leaving
just the roots for all to see.

And if death was the issue, my friend
was stripped from the new beginning.

She still exists in me, but no new friends will come
to appreciate how wonderful it could be,
that two very different trees
would grow side by side from the same ground
into a whirling twist,

dancing to the sky. Isn’t that what trees do with the wind?
Why take ‘it’ away?

09 outubro 2009

Internet


S.G.Collins, The Internet Revealed, 2008.

Vencedor do concurso Euro-IX Film Competition.

07 outubro 2009

Make peace


Meco 2009
Pat Metheny & Brad Meldhau, Make Peace.

06 outubro 2009

La liberté?



















La liberté guidant le peuple
Eugène Delacroix, 1830.
Óleo sobre tela, 260 x 325 cm.
Musée du Louvre, Paris.



Ou será antes o caso duma liberdade de extensão do USA PATRIOT Act (Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism Act) sob a forma de UE FP7 INDECT Project (Intelligent information system supporting observation, searching and detection for security of citizens in urban environment)? Será que a tendência chegou mesmo à Europa, de vez e para ficar? Será que o nosso 'antigo regime' se renova, agora, por todo o mundo europeu, com a desculpa esfarrapada do terrorismo ou prevenção de conflito (Minority Report)? Acabaram-se de vez as nossas liberdades individuais e já não temos direito à privacidade? Alguma vez tivemos...? Mas agora parece que não temos mesmo...

Fala-se de comportamentos anormais e nós perguntamos... o que é um comportamento anormal?

Esta posta não traz nada de novo pois o assunto está apresentado numa notícia do Público de hoje e a sua polémica foi devidamente notada. Mas, como o texto vai ser arquivado e deixará de estar disponível, o Skápsis resolveu fixar o assunto.



Críticos dizem tratar-se de uma medida "orwelliana"
Internet: projecto europeu vai tentar detectar condutas "anormais"

Um programa de cinco anos financiado pela União Europeia chamado Projecto Indect tem como objectivo desenvolver programas de computador que actuem como agentes de polícia, monitorizando e processando informações de sites, fóruns de discussão, servidores, redes sociais e mesmo computadores individuais. O objectivo é detectar condutas “anormais” ou indícios de violência. Os detractores do projecto já vieram dizer que se trata de uma medida “orwelliana” e um “passo sinistro”.

Foram atribuídos ao projecto 10 milhões de libras (10,9 milhões de euros) e a sua coordenação está a cargo da Universidade AGH de Ciência e Tecnologia, na Polónia. A par com este país, estão igualmente envolvidos a Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Bulgária, República Checa, Eslováquia e Áustria, bem como o serviço policial da Irlanda do Norte, de acordo com o “Telegraph”.

Segundo a página oficial do Projecto Indect, que começou este ano, os grandes objectivos desta acção incluem “o desenvolvimento de uma plataforma de registo e troca de dados operacionais, a aquisição de conteúdo multimédia, o processamento inteligente de todas as informações, a detecção automática de ameaças e o reconhecimento de comportamentos anormais ou violência”.

A página fala ainda da criação de “agentes com a missão de monitorizar continuadamente e automaticamente recursos públicos como sites de Internet, fóruns de discussão, redes sociais, servidores, redes P2P (peer-to-peer), bem como sistemas informáticos individuais, construindo um sistema inteligente, simultaneamente activo e passivo, de recolha de dados com base na Internet”.

Este projecto Indect acontece numa altura em que a União Europeia está a expandir o seu papel de combate ao crime e ao terrorismo, controlando apertadamente os fluxos de migração para dentro das fronteiras europeias. Nos últimos tempos, o orçamento europeu destinado a estas áreas cresceu 13,5 por cento, fixando-se actualmente nos 900 milhões de libras (981 milhões de euros), indica o “Telegraph”.

A Comissão Europeia tem vindo a pedir uma “cultura comum” de reforço das leis de segurança em toda a União Europeia, querendo que cerca de um terço das suas forças policiais recebam formação em assuntos europeus durante os próximos cinco anos.


Medida “arrepiante”

Shami Chakrabarti, director do grupo Liberty de protecção dos direitos humanos, declarou ao “Telegraph” que a introdução de técnicas de vigilância com este alcance é um “passo sinistro” para qualquer país, sendo ainda mais “arrepiante”, se pensarmos que ele tem uma dimensão europeia.

“Analisar populações inteiras em vez de monitorizar suspeitos individuais é um passo sinistro em qualquer sociedade. Se já é suficientemente perigoso a um nível nacional, à escala europeia torna-se verdadeiramente arrepiante”, indicou Chakrabarti.

Por seu lado, Stephen Booth, analista da organização Open Europe (um think-tank com base em Londres e assumidamente eurocéptico), indicou igualmente ao “Telegraph” que a introdução na agenda europeia deste projecto tem ressonâncias “orwellianas” e coloca sérias questões sobre as liberdades individuais, lamentando que os impostos dos cidadãos europeus tenham como destino missões deste tipo.

“Isto é assustador. Estes projectos significam uma enorme invasão de privacidade e os cidadãos precisam de se perguntar se a UE deveria gastar os seus impostos neste tipo de coisas”, disse. “Já alguém se questionou se isto serve mesmo os interesses dos cidadãos?”, acrescentou.

Citado pelo “El País”, David Larrabeiti López - da Universidade madrilena Carlos III, que também participa neste projecto europeu - rejeita qualquer interpretação “orwelliana” desta iniciativa. De acordo com as suas explicações ao diário espanhol, o Indect reúne um conjunto de “ferramentas de interesse em termos de segurança dos cidadãos”, que incluem, entre outras coisas, a análise automática de imagens de vídeo e o rastreio de dados públicos disponíveis na Internet para o seu respectivo reconhecimento com “técnicas de interpretação de linguagem natural”, escreve o “El País”.

David Larrabeiti López opina ainda que as próprias polícias nacionais e os serviços secretos já dispõem de instrumentos de vigilância muito mais potentes e agressivos quando querem localizar suspeitos concretos. “O projecto não pode aceder, por exemplo, a bases de dados policiais nem cruzar endereços de IP com utilizadores”, esclareceu o mesmo responsável. “O uso de dados pessoais está expressamente excluído do projecto e não há nenhuma intromissão na privacidade”, concluiu.

Detectar e imobilizar uma agulha no palheiro

Este Projecto Indect parece aproximar-se de um outro, da própria União Europeia, chamado Projecto Adabts (Automatic Detection of Abnormal Behaviour and Threats in crowded Spaces), coordenado a partir da Suécia e que também procura detectar comportamentos “anormais” em espaços onde se agrupem multidões e que recebeu cerca de três milhões de libras (3,2 milhões de euros) de financiamento.

O coordenador do projecto, Jorgen Ahlberg, da agência sueca de pesquisa defensiva, explicou que este sistema irá analisar uma série de características individuais (incluindo o tom de voz e a linguagem corporal) de determinadas pessoas numa multidão. “Normalmente as pessoas não começam uma luta de um momento para o outro. Começam por gritar umas com as outras, por darem empurrões... Este sistema não vai servir para que as pessoas sejam detidas imediatamente, vai apenas servir para alertar um operador que alguma coisa está a acontecer. Por exemplo, num centro comercial, se for enviado um segurança atempadamente, pode nem sequer chegar a haver desacatos”, explicou Ahlberg, citado pelo Telegraph.

De acordo com o think-tank Open Source, os dados recolhidos pelo Projecto Indect e por sistemas semelhantes poderão ser usados por um organismo europeu pouco conhecido, o SitCen (Joint Situation Centre), que poderá ser o embrião dos serviços secretos europeus. Alguns críticos comentam inclusivamente que se poderá tornar na CIA europeia. Desde 2005 que o SitCen tem servido para recolher e partilhar informação de contra-terrorismo.


Comentários

Comentário 06.10.2009 - 19h59 - Anónimo, mundo
1984... melhor que tentar explicar em 5 linhas o porque de desprezar estas medidas, é deixar os links para dois videos MUITO explicativos dos porques de estas medidas serem orwellianas e absolutistas: fuzilah . posterous . com/open-your-eyes . fuzilah . posterous . com/ask-questions

Comentário 06.10.2009 - 16h14 - Zé Pagode, Lisboa
Cara Amélia, considero então que acha aceitável que sejamos todos vigiados e espiolhados porque aqueles que só têm comportamentos aceitáveis não têm nada a temer. E que comportamentos é que são "aceitáveis"? E se o Big Brother decidir que o partido da Amélia não é "aceitável"? E se usar informação privada sua para lhe vedar acesso a um emprego, porque a Amélia disse mal não sei de quem num email para uma amiga? Pois é, numa sociedade da vigilância ninguém está seguro, ninguém é livre. Comparar isso com um carro-patrulha na estrada é de uma parvoíce imensa.

Comentário 06.10.2009 - 15h09 - Anónimo, lisboa
Pois é... A internet (o Zion dos tempos modernos) o ultimo bastião da liberdade e de troca de informação está sobre grande ataque, e aqueles que se dizem "justos", "correctos" ou que "não fazem nada de censurável" só são assim porque ainda não ilegalizaram nada que façam e que acham normal. Agora quando acabarem com a internet em prol dos grandes interesses financeiros, veremos que o cidadão, os artistas e a própria evolução tecnológica é que serão os mais perderão. Já muitos avisam, mas há sempre as ovelhas que seguem a autoridade sem porem em causa a legitimidade das próprias regras.

Comentário 06.10.2009 - 14h26 - Amélia Costa, Lisboa
Pois eu acho muito bem...não tenho medo destas acções de segurança, do mesmo modo que não travo quando vejo um carro da polícia. Porquê? Porque cumpro os limites de velocidade e porque utilizo a net para actividades que nada têm de censurável...

Comentário 06.10.2009 - 13h53 - Anónimo, Lisboa
quando irão estes burocratas perceber que não há comportamento "normal" humano? a estupidez hoje em dia é viral como a gripe.

Comentário 06.10.2009 - 13h49 - Templário, Eurábia
Pelo menos, ainda bem que avisam. A medida, expressa nestes termos, sempre é dissuasora. Agora não me acredito que esta informação seja destinada à mão de santinhos. Quem puser a mão nesta informação vai dar-lhe todas as utilizações possíveis que o dinheiro permitir. Tudo tem um preço, tudo se compra. E no que toca à política, instituições de poder e grandes empresas... mais não digo. Acredito nos hackers, os quais encarregar-se-ao de tratar da saúde a estes meninos Orwellianos.

Comentário 06.10.2009 - 13h48 - Anónimo, Lisboa
um absurdo ... para legitimizar estas e outras medidas absolutistas é que o tratado de lisboa foi forçado ...

Comentário 06.10.2009 - 13h30 - Filipe, Lisboa
Acho inacreditável que com tanta obra literária ou cinematográfica à volta deste tema, ainda haja alguém com estas ideias de controlar e que pense que isto não é nada invasivo. Então se não é invasivo porque é que o querem fazer? Metam-se na vossa vida e preocupem-se convosco. É por este motivo que os estudantes universitários têm mesmo de poder enfrascar-se à vontade, senão ficam como estes totós, que querem viver a vida dos outros, porque não têm vida própria. Cerveja e Liberdade!

29 setembro 2009

Pardon my french


Werner Herzog on his spoken languages...

01 julho 2009

Freedom of sharing cultural ideas...




Peter Sunde e Fredrik Neij numa intervista
de 2007 para o Dayrobber.com.

No curso deste mês, a empresa de publicidade GGF (Global Gaming Factory) levará a cabo a aquisição da página de partilha via BitTorrent através de P2P, The Pirate Bay. Hans Pandeya, CEO da GGF, diz-nos que...

"
We would like to introduce models which entail that content providers and copyright owners get paid for content that is downloaded via the site. The Pirate Bay is a site that is among the top 100 most visited Internet sites in the world. However, in order to live on, The Pirate Bay requires a new business model, which satisfies the requirements and needs of all parties, content providers, broadband operators, end users, and the judiciary. Content creators and providers need to control their content and get paid for it. File sharers need faster downloads and better quality."

22 junho 2009

Lançamento



















Meco 2009


(...) Tenho ainda debaixo do braço muitas setas agudas,
que estão dentro da aljava,
compreensíveis aos cultos; para o vulgo, é preciso
hermeneutas. Artista é aquele
que sabe muito por natureza. Os que tiveram de aprender,
quais corvos loquazes,

que grasnem em vão contra a ave divina de Zeus!
Assesta o arco para o alvo,
eia, coração! A quem atingiremos, com ânimo
de novo brando? A quem lançaremos
as setas da glória? (...)



II.ª Ode Olímpica
Píndaro, Sete Odes de Píndaro, Porto, Porto Editora, 2003.

18 junho 2009

Istigkeit
























Meco 2009


When we feel ourselves to be sole heirs of the universe, when "the sea flows in our veins... and the stars are our jewels," when all things are perceived as infinite and holy, what motive can we have for covetousness or self-assertion, for the pursuit of power or the drearier forms of pleasure?

Aldous Huxley, The Doors of Perception, 1954.

03 junho 2009

Cair no sono
























Lisboa 2009


Estava a cair no sono, o tremor febril abrandava; de súbito pareceu-lhe sentir qualquer coisa, debaixo do cobertor, a correr-lhe pelo braço, pela perna. Estremeceu: «Raios, um rato? — pensou. — Foi porque deixei a vitela em cima da mesa...» Não lhe apetecia descobrir-se, levantar-se, apanhar frio, mas logo lhe voltou a roçar pela perna algo desagradável; arrancou o cobertor de cima dele e acendeu a vela. Tremendo de frio e febre, dobrou-se para examinar a cama — nada; sacudiu o cobertor, saltou de lá um rato para o lençol. Quis apanhá-lo: o rato não fugia da cama, só ziguezagueava para todos os lados, deslizava, esgueirava-se-lhe por entre os dedos e, subitamente, enfiou-se debaixo da almofada; atirou a almofada para o chão mas, no mesmo instante, sentiu que o rato já lhe entrara por debaixo da camisa, lhe corria pelo corpo, já passara para as costas... Estremeceu nervosamente e acordou. O quarto estava escuro, e ele na cama, agasalhado no cobertor como antes; por trás da janela uivava o vento. «Que merda!» — pensou aborrecido.

Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo, Lisboa, Presença, 2003.

13 maio 2009

Diz lá o que te consome...

Alguém pode esquecer o que é apaixonar-se?

Por um lado não, não é possível, todos sabemos o que é apaixonar-se, mas, por outro lado, será que sabemos mesmo o que isso significa?

A paixão é uma patologia, que neste caso está associada ao amor, e este por si mesmo pode considerar-se uma mania, como dizia o das costas largas. O amor é uma forma da loucura, da irracionalidade, já que supera todas as barreiras do pensamento racional e nos leva a defender ideias por si mesmas indefensáveis. O amor, digamos, é uma força de união do que não tem união possível e acaba com os dualismos pela existência deles mesmos. A paixão, por sua vez, embora associada ao amor, está muito distante dele, é uma patologia, um pathos, algo de que se padece, mas não é uma mania como se identifica o amor no antigo. Na paixão há uma submersão enquanto que no amor está presente uma união, ou supressão das partes. No pathos depende-se da outra parte e na mania não se distinguem partes. Mas isto, seja numa ou noutra destas duas formas da afecção atraente, não é algo que nos esteja acessível por uma descrição narrativa ou formulação racional. Só temos acesso a elas pela experiência cognoscível do momento vivido.

Apaixonar-se é algo que não está numa nem noutra, embora a palavra indique entrada na primeira, é de facto um início para estas duas afecções. Na paixão, ainda enquanto apaixonar-se, o amor está presente em potência, é uma possibilidade, mas o amor pode surgir sem qualquer explicação ou apaixonar-se. Por isto, é possível concluir que o apaixonar-se é uma forma de acesso ao amor que tende a levar para a paixão. Na paixão somos tomados pelo outro lado e as barreiras da linguagem são ultrapassadas sem serem sequer identificadas, isto é, agimos como se não houvessem barreiras. Mas, com cuidado e muita atenção, predisposição afectiva e disponibilidade emocional, é possível identificar essas barreiras e diluí-las o suficiente para não ter de ignorá-las. O amor é consciente destas barreiras e o apaixonar-se pode evoluir sem chegar a compadecer-se no prendimento à patologia do afecto pelo outro.

Sendo assim, podemos distinguir um apaixonar-se saudável e outro doente. Um deles, felizmente o primeiro, nunca é esquecido, não pode ser esquecido, mas pode ser arrumado e dispensado como que impossível por quem tenha sofrido tanto que não acredite mais nele, ou tenha medo de acreditar. Aí só resta trabalhar no sentido da renovação da crença no amor de forma completa e abrangente. Tarefa muito difícil para alguns mais sofridos. O outro, o apaixonar-se doente, para quem tenha tido a sorte de não sofrer tanto ou ter sido capaz do tal amor completo e abrangente, acaba por esfumar-se no esquecimento e passa a não ser mais que uma narrativa do passado. Isto tendo em conta que todos passam pelo menos uma vez na vida pela paixão sem conseguir fazer-se evoluir para o amor. É próprio da adolescência e faz parte dos processos que levam a desvelar o apaixonar-se saudável. Será escusado dizer em mais que uma linha como o sim precisa do não para existir.

Agora simplificando: não, ninguém se esquece do que é apaixonar-se, mas muitos optam por agir como se tivessem esquecido para evitar o sofrimento. Contudo, esses que fogem assim, no fundo, são os que fogem da vida, e acabam por não servir de exemplo.

Visto isto de outro ângulo, para todos, o apaixonar-se, seja ele qual for, é sempre outro e renovado a cada momento que passa. Por isso, lembrado ou esquecido, nunca deixa de ser, e se tiver sido esquecido é lembrado noutros termos, se tiver sido lembrado é novamente assimilado para fazer evoluir a sua concepção. Depois, resta juntar a subjectividade de cada um para complicar tanto o problema que não há mais resposta possível.

Mas, diz lá o que te consome...

09 abril 2009

Teremim


Camille Saint-Saëns, Le Carnaval des animaux, Le Cygne,
Clara Rockmore ao piano da irmã, Nadia Reisenberg.

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