29 abril 2007
27 abril 2007
26 abril 2007
Asteridea
23 abril 2007
Hermeneias 9
Este diagrama contém pontos de vista sobre enunciados do passado para o futuro, enunciados futuros para o passado e enunciados do passado para o futuro que se tornaram necessários pela perspectiva posterior. O ponto que tem em vista o futuro não se livra nunca das alternativas possíveis à variação do que a sua proposição antecipa, este ponto de vista é sempre o da potência. Enquanto do passado para o futuro só se pode ter a vista, não se tem, ela é potencial no sentido em que não actualizada confere a si própria todas as possibilidades viáveis ao que pretende actualizar. Esta contingência da potência que ainda não se actualizou é, em parte, necessidade hipotética, pode ser uma hipótese imaginada, mas em absoluto é absolutamente contingente. Não há como garantir qual será a actualização. O futuro, inacessível acto ainda potente, virá a ser presente e como tal o acto que se previu ou uma das alternativas, deixando a potência extinta. Termina aí a liberdade do ser que se propunha. Agora, no ponto de vista que outrora foi futuro, o ponto de vista do presente que olha para aquele que antecipava, o que era então contingente, potente, passa a ser necessário, acede à actualidade. Uma vez em acto a primeira liberdade potente não está mais disponível e o passado, que fora livre, não é mais o passado que foi. O ponto de vista que observa o passado, que o tem em memória, já não o reconhece como ele é. Dizendo que o passado é extraímo-nos ficticiamente da relação temporal para adquirir a sua realidade, o que o futuro era para ser já lá estava inscrito e, sendo assim, o passado não só é actual no ponto de vista do futuro como o é do ponto de vista do passado que se tem como correctamente antecipador do futuro. O passado, como tem uma perspectiva disjuntiva sobre o futuro é tanto em potência como é em acto, mas esta actualização, para nós que ainda lá estivermos, só pode ser no âmbito da sua própria potência. No entanto, é a consciência madura deste em acto livre, uma segunda liberdade retro activada, que nos dá a via para as possibilidades ainda não realizadas e nos mantêm em tensão para aquilo que somos.
Estudo do capítulo nono do Peri Hermeneias de Aristóteles, 2007.
21 abril 2007
20 abril 2007
Aletheia

Gibelina 2002
O que se encontra no outro
não é algo que se tenha perdido,
é antes o que se passa a ser.
10-1-2005
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Categorias * §, amor, arte, filosofia, fotografia, instalação, poesia, sagrado
Hule

Mesa das três primas 2003
Publicada na Bigornalouca
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Gostos não se discutem?
O segundo lugar-comum do gosto, que também é usado até por aqueles que concedem ao juízo de gosto o direito de expressar-se validamente por qualquer um, é: não se pode disputar sobre o gosto. O que equivale a dizer que o princípio determinante de um juízo de gosto na verdade pode ser também objectivo, mas que ele não se deixa conduzir a conceitos determinados; por conseguinte que nada pode ser decidido sobre o próprio juízo através de provas, conquanto se possa perfeitamente e com direito discutir a esse respeito. Pois discutir e disputar são na verdade idênticos no facto que procuram produzir a sua unanimidade através da oposição recíproca dos juízos, são porém diferentes no facto que o último espera produzir essa oposição segundo conceitos determinados, enquanto argumentos, por conseguinte admite conceitos objectivos como fundamentos do juízo. Onde isso porém não for considerado factível, aí tão pouco o disputar será ajuizado como factível.
Vê-se facilmente que entre esses dois lugares-comuns falta uma proposição, que na verdade não está proverbialmente em voga, mas todavia está contida no sentido de qualquer um, nomeadamente: pode discutir-se sobre o gosto (mas não disputar). Esta proposição contém porém o oposto da primeira. Pois sobre o que deva ser permitido discutir tem que haver esperança de chegar a acordo entre as partes; por conseguinte tem que se poder contar com fundamentos do juízo que não tenham validade simplesmente privada e portanto não sejam simplesmente subjectivos; ao que se contrapõe precisamente aquela proposição fundamental: cada um tem o seu próprio gosto.
Kant, Crítica da Faculdade do Juízo, trad. Valério Rohden, Lisboa, INCM, 1998.
Do belo
Kant, Crítica da Faculdade do Juízo, trad. Valério Rohden, Lisboa, INCM, 1998.
Conta mina
14 abril 2007
12 abril 2007
Falem com ela
Pina Bausch, Café Müller, 2002.
Wuppertal Tanztheater ao som do
The Fairy Queen de Henry Purcell.
05 abril 2007
Shoah
Demoníaco
É bem conhecida a obstinação com que uma recorrente tendência herética defende a exigência da salvação final de Satanás. O plano abre-se sobre o mundo de Walser quando até o último demónio do Gehinnom foi levado para o céu, quando o processo da história da salvação se concluiu sem resíduos.
É espantoso que os dois escritores que, no nosso século, observaram com mais lucidez o horror incomparável que os circundava — Kafka e Walser — nos apresentem um mundo onde o mal na sua suprema manifestação tradicional — o demoníaco — desapareceu. Nem Klamm, nem o Conde, nem os escrivães ou os juízes kafkianos, e ainda menos as criaturas de Walser, poderiam jamais figurar num catálogo demonológico. Se algo semelhante a um elemento demoníaco sobrevive no mundo destes dois autores, é mais sob a forma que Espinosa tinha talvez em mente, quando escrevia que o demónio é apenas a criatura mais frágil e mais afastada de Deus, e, como tal — isto é, na medida em que é essencialmente potência —, não apenas não pode fazer nenhum mal, como, pelo contrário, é aquela que tem mais necessidade da nossa ajuda e das nossas orações. O demónio é, em cada ser, a possibilidade de não ser que, silenciosamente, implora o nosso socorro (ou, se quisermos, o demónio não é mais do que a impotência divina ou a potência de não ser em Deus). O mal é apenas a nossa inadequada reacção face a este elemento demoníaco, o medo com que recuamos perante ele para exercer — fundando-nos nesta fuga — um qualquer poder de ser. Só neste sentido secundário a impotência ou a potência de não ser é a raiz do mal. Fugindo perante a nossa própria impotência, ou procurando servirmo-nos dela como de uma arma, construímos o maligno poder com o qual oprimimos aqueles que nos mostram a sua fragilidade; e faltando à nossa íntima possibilidade de não ser, renunciamos ao que só torna o nosso amor possível. A criação — ou a existência — não é, de facto, a luta vitoriosa de uma potência de ser contra uma potência de não ser; é, antes, a impotência de Deus perante a sua própria impotência, o seu poder de não não-ser, de deixar ser uma contingência. Ou: o nascimento em Deus do amor.
Por isso, não é tanto a inocência natural das criaturas que Kafka e Walser fazem valer contra a omnipotência divina, mas mais a inocência da tentação. Em ambos o demónio não é um tentador, mas um ser infinitamente susceptível de ser tentado. Eichmann, um homem absolutamente banal, que foi empurrado para o mal precisamente pelos poderes do direito e da lei, é a terrível confirmação com que o nosso tempo se vingou do seu diagnóstico.
Giorgio Agamben, A Comunidade que Vem, trad. António Guerreiro, Lisboa, Presença, 1993.
Hoje tive a sofrida oportunidade de encontrar, no tHe ULtiMaTe diSoRDer, o arrepiante documento que o M.I.T. deixou sair da sua investigação acerca dos custos humanos na guerra do Iraque.
04 abril 2007
Helios
«Qual é, dentre os deuses do céu, aquele a quem atrubuis a responsabilidade deste facto, de a luz nos fazer ver da maneira mais perfeita que é possível, e que seja visto o que é visível?»
Platão, República, trad. Mª Helena da Richa Pereira, Lisboa, Gulbenkian, 1996.
03 abril 2007
Do bem viver
Postigo 2006
Durante o tempo em que nós não somos dominados pelas afecções que são contrárias à nossa natureza, durante esse mesmo tempo nós temos o poder de ordenar e encadear as afecções do nosso Corpo segundo a ordem relativa à inteligência.
(...) Portanto, o melhor que podemos fazer, enquanto não temos um conhecimento perfeito das nossas acções, é conceber uma correcta norma de viver, por outros termos, regras de vida precisas, e retê-las na memória e aplicá-las continuamente às coisas particulares que se apresentam frequentemente na vida, de maneira que a nossa imaginação seja profundamente afectada por elas e que elas nos estejam sempre presentes. Por exemplo, pusemos entre as normas da vida que o ódio deve ser vencido pelo amor, ou seja, pela generosidade e não ser pago com um ódio recíproco. Mas, para este preceito da Razão nos estar sempre presente ao espírito, quando for conveniente, devemos pensar e meditar frequentemente nas injúrias dos homens e de que maneira e por que via elas podem ser repelidas o melhor possível pela generosidade; assim, com efeito, nós juntaremos a imagem da injúria à imaginação desta regra, e estar-nos-á sempre presente ao espírito quando nos fizerem alguma injúria. Mas se nós tivermos também presente ao espírito o princípio da nossa verdadeira utilidade e ainda o do bem que resulta da mútua amizade e da sociedade comum e, além disso, que de uma norma de vida correcta provém o supremo contentamento da Alma e que os homens, como as outras coisas, agem por necessidade de natureza; então a injúria, ou seja, o ódio que dela costuma resultar, ocupará uma parte mínima da imaginação e será facilmente vencida; ou se a cólera, que costuma nascer das injustiças maiores, não é tão facilmente vencida, será, no entanto, vencida, embora não sem flutuação da Alma, num espaço de tempo muito menor do que se nós não tivéssemos assim premeditado estas coisas, como é evidente pelas proposições 61, 72 e 83 desta parte. Para nos desembaraçarmos do medo, devemos pensar da mesma maneira na força de alma; quer dizer, devemos enumerar e imaginar frequentemente os perigos ordinários da vida e a melhor maneira de os evitar superar pela presença de espírito e pela firmeza de alma. Mas deve notar-se que na ordem dos nossos pensamentos e imaginações devemos atender sempre àquilo que há de bom em cada coisa, a fim de sermos assim sempre determinados a agir pela afecção da alegria. (...)
1 Na medida em que a Alma conhece as coisas como necessárias, tem maior poder sobre as afecções, por outras palavras, sofre menos por parte delas.
2 As afecções que nascem da Razão ou são excitadas por ela, se se tem em consideração o tempo, são mais fortes que aquelas que se referem às coisas singulares, que nós contemplamos como ausentes.
3 Quanto maior é o número de causas simultâneas, pelas quais uma afecção é excitada, tanto maior ela é.
Proposição X, e excerto do seu escólio, da parte V
Bento de Espinosa, Ética, trad. António Simões, Lisboa, Relógio d'Água, 1992.
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Categorias * §, arte, filosofia, fotografia
02 abril 2007
Mirar Azul

Rodrigo Pederneiras, Lecuona, 2005.
Grupo Corpo ao som dos Tus Ojos Azules
de Ernesto Lecuona.
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